La noche más clara…

cuando la palabra
en tus labios se congela
al prescindir del calor
de mis manos

cuando el cuerpo
en tus gestos se niega
y se aleja en la noche
de los abrazos

cuando el silencio
se adueña de tus ojos
dormidos en el cojín
para besos dibujado
no para la mirada perdida
en largas horas de espera

cuando la mano
se vuelve ausente vacía
en el tiempo anhelado
para una caricia casi
imperceptible

cuando y cuando y cuando
mi desamparo es más hondo
que la noche más negra
de la tierra

y mi soledad
inclemente y amarga
como el más árido desierto

mi silencio al final
la fatal consecuencia
de saber que nunca más
será como aquel día
de septiembre en la noche
más clara del hemisferio…

© text&music by jrBustamante, 2018 de «Mondulaciones en sol menor»

Ah, essas mãos (raízes)…

La vida y la muerte entran por la raíz…
ése es el misterio. (Juan Miró)

Raízes da terra retorcidas rotas
folhas coloridas caídas ao léu

braços desesperados saltando as águas
e o perfil da serra pra chegar ao céu

onde fulge um sol com mil raios de fogo
em douradas centelhas de déu em déu

imagem de alma arrasada pela dor
de um mero ser sem esperança alguma
em busca de um sonho que talvez se oculte

atrás do horizonte em fundo negro-azul
e verde-ouro brilhante quase fosco
mesclados para dar sentido à busca

ah, essas mãos raízes desesperadas
num movimento ascensional até o sol

onde quem sabe se esconde uma deusa
de olhos glaucos como os olhos do pai

que escute a minha dor meu amargo clamor
por um breve e eterno instante
de amor de amor de amor

Simbiosis artística
con Jose Plazuelo y su cuadro “paisaje.la.hoja.es.un.pensamiento.del.arbol.regado.del.inconsciente”
(espacios de color imbuidos)

Copyright © text&music – jrBustamante 2018

 

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Toma o livro e devora-o!

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“E fui ter com o anjo dizendo-lhe
que me desse o livro!
E me disse: toma e devora-o!
Ele te será amargo no ventre,
mas na boca doce como o mel.” Apoc 10, 9

sei que sou poeta porque outro dia
um anjo querubim batendo asas na noite
da minha aldeia passou por mim e de graça
me deu um livrinho de marfim e pedrarias
em branco onde só se lia uma palavra
p o e s i a

é assim como vejo as coisas deste mundo
sob o esplendente prisma da palavra dita
ou escrita em qualquer idioma legível
mesmo para um profundo analfabeto
ou até para um cego de nascença
p o e s i a

no meio de todo ‘el mundanal ruido’
com tantos decibéis e as vertiginosas
imagens que nos saltam diante dos olhos
de qualquer monitor o que me consola
e às vezes também me desola é a
p o e s i a

nada como um livro tranquilo bem escrito
em prosa corrente contendo uma bem contada
mentira ou a verdade que emana como pura
p o e s i a

silenciando todo e qualquer ruído
exterior e imergindo-me numa aura
de profundo silêncio e contemplação
onde o que conta é o encontro pessoal
a  p o e s i a   a  p o e s i a   a  p o e s i a
imagens feitas de palavras sossegadas
brilhantes alucinantes dançantes
no ritmo calado das horas mortas
da noite da minha aldeia onde um anjo
querubim só pra mim sorrindo assim…

iluminado por um poste de luz mística
transparente como essa de um fulgor
tão efêmero… das mãos
de Joseba Plazuelo García
{que aliás é meu amigo}

 

© Copyright by text&music.jrbustamante, 2018
Especial no “Dia Internacional do Livro”

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