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Nem ostras nem ostracismo

não me atrai a ostra
seu jeito molusco
seu meio lúrido
seu estar encerrada
numa concha negra
existência côncava
à mercê das águas
do mar da maresia

nem o bicho nem o símbolo
não me perguntem por quê
coisas de montanhês

não me atrai o ostracismo
a má fama as circunstâncias
tão-só o que tem de liberdade
ou a ilusão de… melhor é
pôr-lhe outro rótulo: banido
por livre-arbítrio

o sonho do retorno vai
queimando, vela votiva
no altar das ilusões

amanhã tudo é possível

(de “Nem ostras nem ostracismo”, 2008)