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Missa das dez

era um domingo de sol
era a linha do trem
era um correr de casas
do outro lado da estrada
era a Vó apressada pra missa
das dez o moleque atrás
troteando sem querer
eram dois homens no portão
gritando xingando, aí
a pedra voou tum-tum!
sangrando a testa do outro
um grito um tiro no peito
(o resto a memória esqueceu)

o caminho acabou o trem
nunca mais, missa pra quê,
vó Maria sombra séria
se rindo do neto assustado
ara, que bobage!

tinha cisma daquele caminho
(o resto a memória esqueceu)
dorzinha antiga de testemunha
querendo alívio que o tempo
não traz fazendo perguntas
que pendem no ar,
cipó sem raiz

© by j.r.Bustamante / do livro «Nem ostras nem ostracismo», 2008, Hirschberg, Alemanha, BOD Edition (COLEÇÃO PESSOAL) All rights reserved