O dragão e o santo

Et proiectus est draco ille magnus… (Apoc. 12, 9)

Vou dar uma volta por aí e semioculta
atrás duma enorme trepadeira silvestre
que ninguém sabe quem plantou
topo à esquerda com a estátua:

São Jorge e o dragão subjugado
presos num bloco de granito.

Fico olhando pro santo e torcendo
pro dragão, São Jorge Cavaleiro
morde o beiço enfurecido e arma
o braço, lança em punho. O cavalo
parece dos três o mais assustado,
os olhos de gude querem
saltar das órbitas pra não ver
o duvidoso desfecho do golpe.

A lança do santo já bem salpicada
de bosta de pardal e de algum pombo
enferruja no ar poluído da cidade.

O dragão bem fresco língua de fora
parece estar rindo, sabendo que é
estátua, e mesmo sob os pés do santo,
penosa imagem de sujeição e derrota
bicho dragão de sete vidas famoso
pela velha rivalidade apocalíptica,
sabe que no fundo nem São Jorge
pode com ele.

Pode que o crime não compense
mas no fim o bicho sai ganhando!

© do livro “Poemas de cristal”, Heidelberg, Edição bilingue, 1997, jrBustamante

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Ederá, jovem de beleza deslumbrante e encanto irresis-
tível, sempre soube que o amor poderia ser uma escada para uma vida de luxo e prestígio. Assim, ao escolher marido, ignora os sussurros do coração e se entrega ao brilho sedutor do status social. Seu noivo, porém, oculta sob o verniz da elegância uma alma cruel e sem escrú-
pulos, revelando-se, com o tempo, ser um pesadelo do qual ela, à primeira vista, não sabe como escapar.

Isaías, um intelectual talentoso — músico e escritor de alma sensível — vive à margem do mundo artístico por sua natureza de lobo solitário. Ao ver Ederá por primeira vez, apaixona-se de forma obsessiva. Ao perceber que vai perder a mulher de sua vida por um homem indigno e perigoso, e sem forças nem meios para impedir o casa-
mento, parte pra Europa, onde em vão tenta reconstruir a própria identidade e reencetar uma carreira entre sombras e solidão.

O que Isaías não imagina é que o destino, tão cruel com ambos, ainda preserva reviravoltas capazes de reacender velhas chamas de esperança — ou de condená-los definitivamente a viverem separados.

Ederá é uma história de amor e desilusão, ambição e redenção, onde as escolhas feitas sob o véu da ingenuidade podem custar mais do que a felicidade: podem custar a própria alma.

Após um tumultuoso reencontro em Frankfurt, onde vive Isaías, convalescente de um câncer, Ederá insiste com ele para voltar com ela ao Brasil, a perseguir seus sonhos de escritor e de uma vida juntos.

Chegará ele a tempo de pegar o avião que a leva de volta à casa e unir assim dois destinos que nunca deviam ter se separado?

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essas poucas ou muitas palavras
deixadas aí neste pseudopoema
de memórias da minha infância
nas terras altas da Mantiqueira

essas poucas ou muitas imagens
aí postas em forma de pseudoversos
de um suposto poema dos tempos
aqueles de um menino antigo feliz

querem transmitir talvez a quem possa
interessar minudências de um tempo
passado mais ou menos autêntico real
mais ou menos mítico ou inventado

porém antes de tudo querem revelar
algo que só uma criança como a que
habita a alma desse menino antigo
pode sentir ao recordar os dias passados

de sua própria infância acaso perdida
nos desvãos de uma memória dormida
que esses versos e essas imagens talvez
possam despertar, com isso vejo cumprida

minha despretensiosa missão de poeta
versejador de infâncias desaparecidas
tragadas pelas velhas fauces do tempo
(esse bicho voraz cruel e talvez real)

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BREVE NOTA: Por quê dois livros tão diferentes lançados quase na mesma data?

Primeiro: EDERÁ surgiu de um conto engavetado há tempos em que ela não aparecia.
Isaías, o protagonista masculino.
Tentando desenvolver com maior amplitude a estrutura do conto, me dei conta de que a história dava para um romance com dois personagens contrapostos: Ederá e Isaías.
E assim nasceu este romance agora publicado após uns meses de trabalho.

Segundo: o livro de “poemas” — fragmentos do horizonte — vem sendo trabalhado desde mais ou menos 2011. Não tem nada a ver com o livro anterior, obviamente.

Trata-se de uma espécie de memorial poético da infância, a minha infância nas terras altas da Mantiqueira, com reminiscências mais ou menos borrosas, mais ou menos claras, dos primeiros anos daquele menino antigo que hoje já não é mais tão menino como nos velhos dias a que se refere o presente texto…

Conservo lembranças muito claras dos meus primeiros passos nesse mundo do verde vale aos pés desse horizonte encaixado nos altos cumes da Serra da Mantiqueira, no Bairro do Caxambu de Baixo, Passa Quatro (Minas Gerais), terra histórica de muitas bandeiras, muitas lutas, entre outras as que tiveram influência até na história nacional dos anos 30, pra não falar nos primór-
dios da Independência, quando a nossa cidade nem era município.

Category: eBooks, fragmentos do horizonte, Hardcover /Tapa dura, Novel, Paperback, Paperback, Poesia, Português / Portuguese, Prosa, Roman, Romance | Comments Off on NOVOS LIVROS PUBLICADOS, JÁ DISPONÍVEIS!

Revidando as sétimas (não dominantes)

  

Minha vida foi assim
e nunca mais há de ser
a mesma vida vivida
nos altos da Mantiqueira

Será outra a que há de ser
a vida que agora vivo
ao lado dessa mulher
com que
m sonhei toda a vida

Hoje é sonho realizado
que ainda sigo sonhando
há quase quarenta anos
sonho de olhos abertos

Sim é o destino perfeito
que de coração aceito
como se aceita um presente
saído do coração

Minha mulher e meu filho
os dois presentes mais caros
que me alegrais n
esta vida
agora sim mais completa

Agradecer ao destino
tão camarada comigo
é somente o que me resta
para cumprir… nesta viagem

no digo adiós digo hola
bienvenida primavera
con sus aromas y flores
y sus promesas de vida

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