Revidando as sétimas (não dominantes)

  

Minha vida foi assim
e nunca mais há de ser
a mesma vida vivida
nos altos da Mantiqueira

Será outra a que há de ser
a vida que agora vivo
ao lado dessa mulher
com que
m sonhei toda a vida

Hoje é sonho realizado
que ainda sigo sonhando
há quase quarenta anos
sonho de olhos abertos

Sim é o destino perfeito
que de coração aceito
como se aceita um presente
saído do coração

Minha mulher e meu filho
os dois presentes mais caros
que me alegrais n
esta vida
agora sim mais completa

Agradecer ao destino
tão camarada comigo
é somente o que me resta
para cumprir… nesta viagem

no digo adiós digo hola
bienvenida primavera
con sus aromas y flores
y sus promesas de vida

© Copyright by text & music jrBustamante, 2025

Sétimas… não dominantes!

Minha vida foi assim:

No princípio a natureza
seus mistérios seus milagres
nos altos da Mantiqueira
verde vale campos verdes
bambuzais e verdes matas
galinhas vacas cavalos
meu Rucinho em disparada
pai e mãe irmãos avós
vovô Derfo vovô Chico
a passarada dos campos
ricas frutas tropicais
infância de alumbramentos
lembranças vivas de um tempo
do tempo antigo passado
há tanto tempo já morto
do queijo fresco de Minas
que elaborava meu pai
de mui saudosa memória

Para contar nossa história
vou ter de escrever um livro
com base em fatos reais

Pai e mãe onde é que estais
como dói esta saudade
essa saudade de todos
que já se foram de casa
para nunca mais voltar

Do meu coração não sai
a vontade de rever-lhes
os olhos acostumados
que tanta falta me fazem

Vou parando por aquí
só de lembrar-me de vós
me dá um nó na garganta
não posso mais, digo adeus
até poder ver de novo
seus semblantes mais que vivos
ocultos naquela nuvem
ali detrás do horizonte
que vai dar no infinito

Ando aqui meio perdido
num mundo que não é meu
já nem sei qual a razão
que me trouxe a estas praias
viver desse jeito ao léu

deve ser destinação

adeus meu pai minha mãe
adeus todos os meus mortos
adeus… para sempre adeus

© Copyright text & music jrBustamante, 2025

No Dia Mundial da Poesia – Primavera no hemisfério norte

PARABÉNS, maninha caçula!

Não tens fala, nem movimento nem corpo.
E eu te reconheço.

Não sofras, por não te poderes levantar
do abismo em que te reclinas.

E hoje era o teu dia de festa!

(Cecília Meireles, ELEGIA)

Faz exatamente três meses
que as malditas rodas do destino
ceifaram tua curta vida, minha
querida maninha caçula.

Como dar-te hoje meus parabéns
pelos anos vividos, sessenta e sete
exatos, não, exatos não porque
a misteriosa mão invisível que rege
nossas vidas quis encurtar a tua
levando-te antes do tempo…
três meses antes de completar esses
breves sessenta e sete pelos quais
queria dar-te meus mais sinceros e
carinhosos parabéns, isso, parabéns!

Mas como fazer se já não estás aí
para recebê-los e com tua inexorável
alegria responder com um simples
obrigado meu irmão!

Te guardarei na memória e no coração
por todo o tempo que me resta até
alcançar a dimensão eterna em que
agora te encontras.

Que vontade, Lurdinha,
vontade mais louca de te abraçar
como quando eras pequena, ansiosa
me esperando com o pacotinho de bolachas
de arroz (tá lembrada?) que trazia de São Paulo
cada quinze dias de volta a casa.

Era chegar e saltava a pergunta
que é isso Zzinh, e eu, sei lá, chinelo velho
sempre era chinelo velho o pacote duplo
de bolachas de arroz que com tanta gula
comias até acabar o pacote, então tinha
outro chinelo velho escondido e você
se alegrava e me abraçava…

Que saudade
querida maninha caçula de quando
eras pequenininha e me abraçavas
com tanto carinho e alegria e gula
de bolachinhas de arroz que não eram
senão ‘chinelo velho’

 

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do livro inédito “Esse mundo é meu

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