Montale… {it}

…ha detto:

Nessuno scriverebbe versi se il problema della poesia fosse quello di farsi capire.

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Soneto… {pt}

…imperfeito

todo mundo está cansado de saber
que um soneto que se preze e como tal
queira ser reconhecido e recitado

além de ser rimado e bem medido
há de conter 4 versos e mais 4
pra não passar por imperfeito

inevitavelmente lhe faltariam 3
e 3 que apurando bem os cálculos
dariam catorze, cifra que detesto
sei lá por quê, não sei lidar com números

rompesse aqui esse malabarismo
por água abaixo iriam 2, verso e poeta!
ainda me falta o imprescindível fecho
de ouro, pobre de mim, morro imperfeito

(de “Esse mundo é meu”, © text@music, 2013)

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Não fosse o diabo… {pt}

Não fosse o diabo (da velhinha)

pode me chamar de sem-vergonho
mas não deu outra, saí da loja e levei
teu corpo na retina, sou muito meta-
físico, fiz abstração imediata aguda
prismática do vestido lilá aberto de lado
mostrando a melhor parte da tua coxa
esquerda e da blusa (quase) transparente
com florinhas também lilases faltando
um botão e mostrando ali (sem querer?)
entre um suspiro e um olhar duas flores
redondas lisinhas dum adivinhado
perfume de rosas e tenras folhas silvestres
que se eu pudesse, vou caminhando
pairando vou sonhando tropeço na sombra
de um querubim e quase caio nos braços
de vetusta dama de bengala e óculos
escuros, perdão, minha senhora, mea
culpa, todo compungido e pudoroso
(apesar dos pensamentos streap-tísicos
teu corpo já quase nu para o festim)
dizendo-me a vovozinha num muxoxo
fosse menina-moça, meu lindo, ó,
te convidava agora mesmo pr’aquele
fuzuê, e um risinho seco diabólico,
a ousadia confesso me tirou do sério,
que diabo de velhinha mais afoita
lá se foi a abstração o sonho a hora
morna do sátiro – relambendo-se
de uma safadeza imaginada

(de “Esse mundo é meu”, 2010)